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O artigo do Prof. Dout. Frederick Moehn, "A Carioca Blade Runner, or How Percussionist Marcos Suzano Turned the Brazilian Tambourine into a Drum Kit, and other Matters of (Politically) Correct Music Making," publicado na revista Ethnomusicology no ano passado, foi premiado com o Klaus P. Wachsmann Prize for Advanced and Critical Essays in Organology at the Society for Ethnomusicology meeting em Los Angeles no passado mês de Novembro.
 
O prémio reconhece "uma grande publicação que avança o domínio da organologia (o estudo de instrumentos musicais) através da apresentação de novos dados e usando métodos inovadores no estudo de instrumentos musicais." Foram avaliados para o prémio bienal um conjunto de artigos publicados nos últimos três anos.
 
No ano passado, o Prof. Moehn ganhou o Jaap Kunst Prize da Society para o seu artigo, "Music, Mixing, and Modernity in Rio de Janeiro," publicado em Ethnomusicology Forum em 2008.
 
Resumo:
 
Este artigo foca a carreira de Marcos Suzano, um percussionista conhecido pela inovação que ele introduziu na execução e nas práticas de gravação de um dos instrumentos mais populares do Brasil, o pandeiro (uma tambor de caixilho que teve origem na África do Norte, utilizado no Brasil em vários contextos musicais, tendo influências do Ocidente e da África Central). No início da década de 90, Suzano desenvolveu uma técnica distinta de execução do instrumento que, segundo o próprio, captava melhor os ritmos afro-brasileiros, conforme exemplificado pela bateria do Candomblé. Em seguida, amplificou o seu pandeiro, trazendo-o para o primeiro plano das gravações de músicapop e das performances nas quais participou. Subsequentemente, começou a incorporar na sua prática tecnologias e métodos de produção digitais, aumentando significativamente o leque de sons produzidos pelo instrumento. Os depoimentos e a biografia deste músico destacam-se o modo com o qual metáforas de modos de conduta, diferenciados consoante o género e sexo, enquadram interpretações locais sobre como este personagem, semelhante ao Blade Runner (do icónico livro e filme cyber-punk), levou a percussão para o primeiro plano da música pop (onde tinha sido apenas um "sabor"), ou o modo como associou a sua ênfase nas frequências baixas com o dominante, por vezes agressivo orixá Ogum, ou com os sons fortes e vigorosos dos tambores do maracatu e das guitarras de rock. A aparente fetichização, o domínio e a domesticação do material electrónico conseguidos por Suzano - e até o seu modo de falar em torno da indústria da música e da esfera política - levou à seguinte conclusão sobre este contexto: uma vez desarticulados da regulação autoritária da sociedade civil e do corpo, tais aspectos de masculinidade, associados ao poder e ao controlo, poderiam levar a novas ressonâncias. O artigo trata como aspectos fundamentalmente interdependentes e mutuamente constitutivos as dimensões de raça, género, classe, identidade nacional, som musical, e mediação no contexto, e demonstra a interdependência dinâmica entre instrumentos acústicos e electrónicos,por um lado, e o sujeito emergente em performance, por outro.