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Doutor Integrado | Professor Adjunto
Faculdade de Motricidade Humana | Universidade de Lisboa
Estrada da Costa
1499-002 Cruz Quebrada - Dafundo
Portugal
Email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Tel: (+ 351) 21 414 91 77

Nota Biográfica

Luca Aprea é professor adjunto do Departamento de Teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema / Instituto Politécnico de Lisboa. É licenciado em Estudos Teatrais pela Université Paris 8 - Saint-Denis; mestre em Psicopedagogia Percetiva pela UML-Lisboa; doutor em Psicomotricidade Humana, especialidade de Dança pela Universidade de Lisboa / Faculdade de Motricidade Humana, investigação realizada no quadro do INET-MD e pela qual recebeu o apoio da Fundação para a Ciências e Tecnologia (FCT).
A tese de doutoramento, titulada: O Toque e a Diferença. Um estudo da emergência criadora na formação do intérprete contemporâneo, reflete sobre a questão da "abertura do corpo" na escrita cênica contemporânea. O estudo pensa o corpo à luz do que nele excede o texto e o discurso e propõe a configuração de um território infradisciplinar, distinto e até oposto às zonas do interdisciplinar e do transcidiplinar exploradas pelas novas velocidades.
Paralelamente ao trabalho como professor e investigador, co-dirige a Associação Invenciones Cosmicómicas sediada em Madrid envolvida em projetos educativos ligados às artes e a comunidade.
Em Portugal tem integrado a direção artística da companhia O Bando entre 2002 e 2010.
Desde 2008 colabora regularmente com a Associação Musical Os Músicos do Tejo (Dir. Musical Marcos Magalhaes) com quem tem levado a cena óperas como "La Spinalba, ovvero Il vecchio matto" de F. A. de Almeida, (1739). CCB. Parcerias: Mezzo / RTP1. (Ópera emitida pela RTP1 a 14 de Agosto de 2009). "Lo Frate Nnamorato", de G. B. Pergolesi (1732), CCB. "Le carnaval et la folie", comedie-ballet de C. Destouche (1704). CCB. "Il Trionfo d'Amore", serenata para seis vozes de F. A. de Almeida (1729). CCB. "Dido e Eneias", H. Purcell (1682). Músicos do Tejo e Coro Gulbenkian. Fundação Calouste Gulbenkian (Grande Auditório).
Para a Orquestra Gulbenkian, com direção musical de Pedro Neves, tem encenado a opera contemporânea "Into the Little Hill", de George Benjamin & Martin Crimp (2006). Fundação Calouste Gulbenkian (Grande Auditório).
Tem colaborado com o estúdio de opera da Escola Superior de Música para "Ester", oratório sacro de Antonio Leal Moreira (1786), numa co-produção da ESML com o Teatro São Luiz.
Para maio de 2015, prepara a estreia de "Armida", de Josef Mysliveček (1779). Direção musical João Paulo Santos, Orquestra Metropolitana de Lisboa - Centro Cultural de Belém (CCB).
 
 
 
Dissertação de Doutoramento
 
Título
O Toque e a Diferença. Um estudo da emergência criadora na formação do intérprete contemporâneo.
 
Resumo
Este estudo analisa o lugar do corpo sensível na formação do intérprete contemporâneo à luz dos conceitos de toque e de diferença. A investigação partiu do encontro entre estes dois conceitos que, inicialmente, refletem modos distintos de pensar a vida sensível.
Por um lado, o toque como tato, como sentido do tangível, estatui-se ao mesmo tempo como o mais difícil de definir entre todos os sentidos, pela sua duplicidade e plasticidade. O toque apresenta duas dimensões: uma focada, local, coincidente com os contornos objetivos do contacto físico; outra mais difusa, global, que se estende interiormente a todo o corpo. Este toque interno do corpo tem sido objeto de explorações filosóficas intensas seja como "sentido dos sentidos", o sentido no qual convergem todos os outros na apreensão complexa da realidade, mas também como fundo percetivo que sustenta a perceção de si e o sentimento de existência.
Por outro lado, a diferença é o conceito pelo qual Gilles Deleuze pensa a vida sensível do ponto de vista das relações de força que a fundamentam. A diferença é o que permite acolher o movimento de forças que constituem o mundo concreto "entre" e "para além" das formas organizadas. Deleuze fala de um "puro sensível", um "ser do sensível" que excede o sensível sentido e representado, e que se manifesta por uma espécie de "mouvance", "uma diferença na intensidade", uma variação contínua da matéria, que leva o existente, a vida, a diferir perpetuamente de si mesmo.
As noções de toque e de diferença revelam-se regimes de exploração da vida sensível à partida distintos: o campo da intencionalidade e da experiência vivida; o campo intensivo da experimentação, o plano da vida vivida e não reconhecida.
O intérprete encontra-se numa posição paradoxal: a sua pesquisa obriga-o a gerir constantemente análise e imersão, a situar-se entre o plano de experimentação e o plano da experiência. Ele deve gerir dois estados de presença que parecem, à primeira vista, excluir-se um ao outro. No nosso estudo, para além da tensão epistemológica inicial, este binómio configura um campo para a exploração prática da emergência criadora onde o toque é encarado como o elemento técnico que pode ligar e tornar mais percetíveis as vias de passagem entre o campo da experiência e o campo da experimentação, os procedimentos que permitem a transição do corpo intencional ao corpo intensional.
Finalmente, a reflexão que move o presente estudo assenta numa intensa prática pedagógica onde as noções de toque e diferença operam não apenas como conceitos mas como ferramentas práticas, quadros de experiência concretos, para a abertura intensiva do corpo.
 
Palavras-chave
Toque, diferença, emergência criadora, corpo sensível, autonomia, ambiance.
 
 
 
Grupo de Investigação: Estudos em Dança