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Doutor Colaborador | Professor Jubilado/reformado
Largo John Miller, nº 6
Mindelo
Ilha de S. Vicente
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Tel: +238 972 36 16

Nota Biográfica

Gabriel Moacyr Rodrigues é atualmente doutorando em Etnomusicologia na Universidade Nova de Lisboa e bolseiro da FCT. É mestre em Ciências Musicais – Etnomusicologia pela mesma Universidade (2010), e em Relações Interculturais, área de Antropologia Visual, pela Universidade Aberta do Porto (2003). É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês/Português) pela Universidade Clássica de Lisboa (1985).

Em 1999 iniciou a atividade de docência no ensino superior em Cabo Verde, onde lecionou, entre outras, disciplinas de Língua e Cultura Cabo-Verdiana e Portuguesa, Antropologia Cultural, e História, Cultura e Património. Tem participado com comunicações em colóquios internacionais, é autor de alguns artigos publicados em revistas de diversos países e de vários livros, a saber, O Carnaval do Mindelo: formas de reinvenção da festa e da Sociedade. Representações Mentais e materiais na Cultura Mindelense, Sintra: Autor, 2011; Carnaval – Mindelo de Cabo Verde, Mindelo: Calabedotche, 1998; Vida e Obra de Frank Cavaquim – Coladeras e Mornas, Mindelo: Câmara Municipal de S. Vicente, 1997; Cabo Verde – Festas de Romaria Festas Juninas, Mindelo: Autor, 1997; A Morna na Literatura Tradicional. Fonte para o estudo histórico-literário e sua representação na sociedade, com Isabel Lobo, Praia-Mindelo: ICLD, 1996.

Foi cofundador da editora “Calabedotche”, em Cabo Verde, e em 1995, consultor cultural do “Smithsonian Institution” no “Festival of American Folklife”, em Washington, EUA. Entre 1986 e 1991 foi diretor regional do Ministério de Informação, Cultura e Desportos de Cabo Verde, para a região do Barlavento. Foi técnico do Instituto de Investigação Cultural, do mesmo ministério, e professor liceal em Portugal, Cabo Verde e Angola.

(CV)

TESE DE DOUTORAMENTO

"O papel da morna na afirmação da identidade nacional em Cabo Verde"

Resumo

No presente trabalho propõe-se analisar o significado social de um género musical de Cabo Verde, a morna, e mais precisamente, o papel que terá desempenhado na demarcação de um espaço identitário na sociedade colonial cabo-verdiana e na consequente construção de uma identidade nacional.

De finais do século XIX até à década de 1980, a morna foi o único género musical que se expandiu por todo o arquipélago, em termos de audiência como de produção artística. Caracteriza-se por ser uma música popular urbana cantada e dançada, com uma estrutura melódica e harmónica tonal, tendo passado de um ritmo binário para quaternário. Do ponto de vista literário, trata-se de um texto poético popular, tradicional e oral.

Para o seu estudo recorreu-se à combinação de uma abordagem histórica e etnográfica, utilizando a bibliografia disponível, fontes de arquivo com documentos oficiais, livros de viajantes, periódicos, discografia, assim como o estudo de terreno, entrevistas e a análise dos poemas da morna.

Procedeu-se à descrição deste género musical, assim como das transformações que foi sofrendo ao longo do período delimitado e estudou-se o seu significado social, produção, performance, formas de divulgação e de aprendizagem nas três ilhas onde teve maior expressão: Boavista, Brava e S. Vicente, estabelecendo ligações com as comunidades emigradas.

Para análise da questão em estudo, recorreu-se a conceitos e problemáticas propostos por diversos etnomusicólogos e que tratam da relação entre música e identidade, mas também por estudiosos de outras disciplinas das Ciências Sociais, com especial relevo para o de “comunidade imaginada”.

Conclui-se nesta tese que a morna foi-se impondo como um espaço de afirmação do “nós” e de expressão da vivência coletiva dos cabo-verdianos nos seus mais diversos aspetos, tornando-se no instrumento privilegiado de construção desta “comunidade imaginada” que é a nação. Com efeito, foi o género musical mais divulgado no arquipélago e junto às comunidades emigradas ao longo do século XX, tendo executantes e compositores oriundos de todas as ilhas e de todas as camadas sociais. Por outro lado, sendo a população cabo-verdiana, na sua grande maioria, analfabeta, a música atinge um público muito mais alargado do que a literatura culta ou os textos jornalísticos, tanto no arquipélago, como junto às comunidades emigradas em geral, onde normalmente é o crioulo que permanece e prevalece.

Tendo apreendido a importância deste processo, os nacionalistas do movimento independentista surgido na década de 1960 utilizaram também a morna como instrumento privilegiado de divulgação do seu projeto político junto aos cabo-verdianos, graças às emissões radiofónicas e à indústria discográfica, às quais já tinham acesso.

Palavras-chave: morna, Cabo Verde, identidade

Grupo de Investigação: Etnomusicologia e Estudos em Música Popular