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Doutorando / Investigador / Músico
Urbanização do Ribeiro Nr 9
Turiz
Braga
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Portugal
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CV:

Nota Biográfica

Pedro Cravinho Investigador, Doutorando na Universidade de Aveiro. Presentemente encontra-se a desenvolver um projecto de tese sobre a presença da música Jazz na Televisão em Portugal durante o regime do Estado Novo (1956-1974), com uma Bolsa da Doutoramento financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia Portuguesa (FCT), na Universidade de Aveiro, Portugal. Actualmente é também investigador associado visitante no Departamento de Música da Universidade de York, Inglaterra. Como investigador pertence ao Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos de Música e Dança, assim como ao Centro de Estudos de Jazz, ambos na Universidade de Aveiro. Cravinho fez parte da equipa de investigadores do primeiro projeto nacional sobre Jazz em Portugal intitulado "Mensageiros do Jazz: A importância dos divulgadores do Jazz em Portugal no Século XX", desenvolvido na Universidade de Aveiro e financiado pela FCT. É membro das seguintes sociedades de investigação: International Society for Jazz Research; Sociedade Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM) Sociedad de Etnomusicologia Espanhola (Sibe), e coordenador do grupo de trabalho sobre Estudos de Jazz na Sociedade Portuguesa de Investigação em Música (SPIM). Colabora com a revista especializada sobre jazz em Portugal jazz.pt, assim como com a revista de música portuguesa quadrimestraldedicada à divulgação do património musicalde cultura lusófona, Glosas através de uma rubrica regular intitulada "(des)encontros com jazz'. Tem vários artigos publicados sobre jazz em Portugal.

 

Tese de Doutoramento

O Jazz e a Radiotelevisão Portuguesa durante o regime do Estado Novo, entre 1956 e 1974.

A televisão em Portugal, tal como em toda a Europa, surgiu por iniciativa e intervenção do Estado que, no caso português, estava marcado pela vigência de um regime ditatorial designado por Estado Novo (1933-1974). Apesar de ter entrado tardiamente no quotidiano dos portugueses (1956), a televisão é uma ferramenta de análise fundamental para compreender variadíssimas alterações e transformações culturais, assim como as representações sociais do imaginário colectivo no nosso país.

Segundo Cádima e Carvalho, em Portugal a televisão foi utilizada como ferramenta de unificação e de conformação da população à ideologia dominante, ao seu modelo de política cultural durante o regime do Estado Novo (Cádima, 1999; Carvalho, 2009). Contudo e apesar dos persistentes esforços de Oliveira Salazar em manter Portugal e os portugueses "orgulhosamente sós", os valores defendidos pelo regime foram encontrando resistências e caminhos alternativos determinados por influências exteriores à Nação. A televisão configurou esse espaço, como procurarei documentar. Este argumento é também sustentado por António Barreto quando refere que mesmo controlado pelo regime a televisão foi um importante "instrumento de abertura e democratização da sociedade" portuguesa (Barreto 2000). Observa-se então uma ambiguidade entre os valores nacionais que o Estado incutia através de políticas culturais concertadas e os valores estrangeiros que os portugueses acolhiam, directa ou indirectamente, consciente ou inconscientemente. A presença do imaginário americano, ou do american way of life em Portugal, durante o regime do Estado Novo, é disso uma evidência.

Inicialmente exerceu-se através das páginas e das películas cinematográficas dos policiais americanos (Bagagem, 2008). A América, como sustenta Hobsbawn, veio ao encontro da Europa, a "hegemonia cultural não era nova, mas o seu modus operandi mudara" (Hobsbawn, 2002), transformando o american way of life no ícone do europeus, e a música jazz num dos seus símbolos. Aliás, em Portugal a informação e a divulgação desta música de origem norte-americana intensificou-se a partir de finais de 1950 e ao longo da década de 1960. É precisamente o alcance e as potencialidade desta nova tecnologia – a televisão – para a introdução e divulgação da música jazz no quotidiano do telespectadores portugueses que se pretende compreender. Que programas televisivos dedicados inteiramente à música jazz existiram no seio da programação da RTP? Quando é que surgem? Quem foram os seus principais protagonistas? Qual foi a acção da censura nestes programas? Neste sentido, e tratando-se de território totalmente inexplorado no quadro da investigação em Portugal, com este estudo procuro contribuir para a reflexão sobre a televisão enquanto meio de divulgação de música e sobre o jazz em particular enquanto universo polissémico quando comprometido com as políticas de comunicação associadas à televisão.

Palavra-chave: Estado Novo, Radiotelevisão Portuguesa, Jazz em Portugal.